O Fim dos Partidos Políticos



Já não é novidade nenhuma, nem sequer uma surpresa. Há muito que os partidos políticos deixaram de existir (nem sei muito bem se alguma vez existiram em Portugal). Na sua génese eram constituídos para agregar pessoas com corrente ideológicas politicas comuns e que teriam um projecto de sociedade. Defenderam grandes causas e as diferenças eram marcantes.

Hoje isso já não existe, desde o inicio da nossa democracia que esse papel foi-se esbatendo com o decorrer dos anos. A componente ideológica foi sendo substituída por mecanismos de poder que foi filtrando para fora do sistema politico aqueles que eram ideologicamente mais convictos. O que inicialmente era camuflado pelas grandes transformações que necessitavam de ser operadas na sociedade portuguesa nos anos 70 e 80 foi sendo exposto com o fim dessas causas nos anos 90. A sociedade tornou-se consumista e os políticos não fugiram à regra sendo que a sua febre consumista era por poder.

Os políticos de hoje eram homens de segunda e terceira linha do período inicial e eram homens de poder e não ideológicos. Eram ferramentas necessárias ao funcionamento do partido. Pragmáticos e com pouco interesse ideológico.

Esta mudança fez com que aos poucos a palavra "politica" fosse considerada suja, algo que apenas as pessoas de fraco carácter e com uma elevada ambição de poder utilizassem.

A palavra foi esvaziada do seu conteúdo inicial (causas, valores, modelo de sociedade) e substituído por um conteúdo bem menos atraente ao povo, a todos nós (poder, corrupção, elitismo).

O que assistimos este fim de semana foi o exemplo mais crasso deste desfecho dos partidos. A forma como a democracia foi tão maltratada no PSD, foi sem dúvida o mais claro exemplo de que algo de bom terminou. As pessoas a quem confiamos a democracia não ligam muito a esse sistema e escolhem no seu domínio (o domínio do partido) um outro sistema: o corporativismo. Sim os partidos políticos já não existem, transformaram-se em grandes corporações politicas. O que movimenta essas organizações já não é a ideologia mas a pertença a uma classe profissional. A profissionais de cargos políticos que utilizam todos os meios para ascender ao poder mesmo que esses meios firam de morte o conceito de democracia.

O percurso politico é feito por carreira, começando nas "juventudes", passando pelo "estágio" nas associações universitárias e seguindo a carreira de acessoria politica até finalmente exercer um cargo politico. O trajecto é claro e não difere de nenhuma outra profissão. (Este mesmo pragmatismo está claro numa discussão que aqui tive sobre a educação.)

O cenário é negro e bem real, mas significará isto que a politica está condenada a ser exercida por corporações? Julgo que não! As ideologias não morreram e irão subir a tona com a degradação do sistema politico. Além disso a ideologia nunca morreu, assim como nunca morreu a politica. Ela é exercida no nosso dia-a-dia, nas nossas discussões com amigos e familiares. É feita nos blogues, no nosso voto, no fundo é feita onde sempre foi feita: nas pessoas. Apenas necessita de regressar onde a mesma é exercida: nas associações de cidadãos, vulgo partidos!

2 comentários:

João disse...

O Fim de Portugal
O País caminha a passos largos para o fim!!! Os maltrapilhos dos bancos roubaram e iniciaram politicas de emprestimos impensaveis, o que levou as massa populacional a habituar a gastar mais do que tem , a elevação dos preços de tudo!!! Até o leite mais sorrapa chega a custar balurdios certos locais!!! O credito vendeu o país aos bancos e estes ao estrangeiro!!! Mas a Culpa nao morre solteira todos sabemos , que é dos politicos, foram eles que nos venderam e deixaram sem nada !!! A partir de agora todos so vem uma solução" A guerra declarada e fim dos politicos maricas neste país!!! Todos clamamos por uma Bomba que restabeleça a ordem!!! Venha a Bomba em cima dos maricas e dos bancos

Stran disse...

E que tipo de Bomba é que és apologista?