Modelos Liberais em Portugal

O mote para este artigo é a seguinte dúvida:

Estará Portugal preparado para o Liberalismo (na sua vertente económica)?
Julgo que não. A minha visão assenta nas seguinte constatações:

1 - Justiça.

Julgo que para que medidas liberais funcionem a justiça é fundamental que funcione de uma forma rápida e garante desincentivos às más práticas. Ora tanto num ponto como noutro tal não acontece. Em Portugal a Justiça é demasiada lenta sendo que desicentiva a sua utilização mas pior que isso as indeminizações previstas em Portugal são baixas ou quase nulas.
Para exemplificar este caso gostaria de dar o mercado imobiliário. Todos nós sabemos que temos 5 anos de garantia quando compramos uma casa nova, no entanto o que ninguém sabe é que temos um ano para denunciar os defeitos encontrados e após este temos apenas 6 meses para pedir a execução do nosso direito de reparação sob pena de caducidade desse direito.
No final deste processo que é longo e demorado apenas temos direito à correcção desses defeitos e a nenhuma indeminização real.
Ora este facto conduz a que um empreiteiro tenha todos os incentivos a não construir correctamente as casas, ficando à espera de acção do comprador para corrigir os defeitos que muitas vezes o empreiteiro sabe já existirem. O empreiteiro pode assim ficar à espera que o cliente acione a garantia e no final tem exactamente o mesmo custo de construção que tinha caso tivesse entregue a obra de forma correcta. E com a vantagem de entretanto ganhar juros e cash flow comparativamente a quem agiria de forma correcta.
Este é um exemplo de como uma justiça ineficaz acaba por deturpar as consequências previsíveis de um mercado concorrencial advogado pela teoria liberal sendo que não são as melhores praticas mas as piores que acabam por sobreviver.

2 - Cultura


O modelo liberal assenta na racionalidade dos agentes económicos. Ora muitas vezes em Portugal isso não acontece. Na realidade muitas vezes agem de forma "irracional". Voltemos ao mercado imobiliário e neste caso aos alugueres de lojas.
Se passear por zonas de nova construção verificará que muitas têm lojas por alugar mas mantém valores muito elevados não existindo uma tendência para os valores baixarem. Ora muitas vezes esse valor demasiado elevado faz com que não se abram novos negócios. Racionalmente os preços deveriam baixar até um nível que conseguissem satisfazer a procura, mas parece que acontece precisamente o contrário. Os donos ficam à espera que alguém "apareça" para pagar esse valor perdendo muitas vezes muito dinheiro.
Imaginemos que uma loja tem um aluguer de 1.000 Eur e que nesse caso demora um ano a arranjar quem alugasse esse espaço, mas que por 200,00 Eur arranjaria já este ano. Ora o normal seria alugar este espaço por um ano a 200,00 Eur fazendo um contrato de um ano e ao final desse ano rescindiria o contrato e alugaria por 1.000 Eur. Assim encaixaria mais 1.400 Eur do que na situação de ficar à espera. Mas é isso que acontece? Não, preferem ficar à espera e com isso acabam por se tornar um travão ao desenvolvimento económico. (Além de que com esta actitude acabam por desvalorizar ainda mais o seu bem).
Sem esta actitude o mercado acaba por não beneficiar niguém e todos saem prejudicados.

(...)

[Durante os próximos tempos irei perder algum tempo e artigos na temática do Liberalismo em Portugal. A temática é premente dada os acontecimentos nos dois partidos à direita em Portugal.]

Tempo para pensar...

Passou quase um mês desde que escrevi a minha ultima vez. Talvez por falta de inspiração, talvez por ter trabalho a mais ou simplesmente porque precisava de muito tempo parar pensar. Julgo que pensar é cada vez mais um bem precioso.

Todos os dias acordamos e vemos coisas de pessoas que não pensam. A partir da década de 90 que o globo no mundo ocidental começou a girar mais rápido. Não é bom nem mau é apenas uma realidade. No entanto essa realidade tem muitas consequências, uma delas sendo a ausência de pensamento. è tudo feito muito rápido e por isso sem muito tempo para pensar.


Neste sentido decidi parar um pouco para pensar, para avaliar o que se tem passado, para simplesmente comtemplar o mundo à minha volta e respirar um pouco.


Hoje poderia voltar a escrever sobre o que aconteceu nestas três semanas, no 25 de Abril e 1º de Maio. Poderia escrever sobre o PSD (ou melhor - "pSD"). Mas não escolhi, o pensamento em si como tema de reinicio de escrita de artigos. Não cheguei a nenhuma conclusão, decidi não o fazer, afinal a minha única obrigação neste periodo foi pensar...

A prisão interior

Julgo que chega a altura de discutir com seriedade o que queremos do "interior". Existe em nós, e os politicos são um espelho, um sentimento de nostalgia pelo "interior". Acredito que tal sentimento está enraizado desde a revolução industrial quando os primeiros camponeses sairam do "interior" e rumaram às grandes cidades para fazerem a sua vida. Muitas vezes utiliza-se a expressão "é necessário prender as pessoas no interior" que não deixa de ser muito feliz. Pois actualmente o "interior" é isso mesmo, uma prisão.
Esta medida enquandrasse num rol de propostas populistas e vãs que Menezes nos habituou, e nisso não é uma supresa. Apenas prova que não será capaz de ser primeiro ministro com esta mentalidade de pároco de igreja sem que tenha uma visão global do nosso País.
P.S. Ingleses, alemães, franceses, espanhóis, americanos e outros devem rir à gargalhada quando nós falamos de "interior". Só num país com mentalidade idêntica ao seu tamanho para debatermos o nosso "interior"...

Olimpismo

Olympic Charter, Fundamental principles

"1. Olympism is a philosophy of life, exalting and combining in a balanced whole the qualities of body, will and mind. Blending sport with culture and education, Olympism seeks to create a way of life based on the joy found in effort, the educational value of good example and respect for universal fundamental ethical principles.
2. The goal of Olympism is to place sport at the service of the harmonious development of man, with a view to promoting a peaceful society concerned with the preservation of human dignity.
3. The Olympic Movement is the concerted, organised, universal and permanent action, carried out under the supreme authority of the IOC, of all individuals and entities who are inspired by the values of Olympism. It covers the five continents. It reaches its peak with the bringing together of the world’s athletes at the great sports festival, the Olympic Games. Its symbol is five interlaced rings.
4. The practice of sport is a human right. Every individual must have the possibility of practising sport, without discrimination of any kind and in the Olympic spirit, which requires mutual understanding with a spirit of friendship, solidarity and fair play. The organisation, administration and management of sport must be controlled by independent sports organisations.
5. Any form of discrimination with regard to a country or a person on grounds of race, religion, politics, gender or otherwise is incompatible with belonging to the Olympic Movement.
6. Belonging to the Olympic Movement requires compliance with the Olympic Charter and recognition by the IOC."

Portugal, que futuro?

Julgo que estamos a caminhar para um periodo dificil, tanto a nível nacional como internacional. E uma vez mais estamos perante o velho paradigma esquerda ou direita. Com as condições de vida a piorar começamos a assistir a pequenos debates que até aqui não fariam sentido. E modelos até agora inquestionáveis são postos em causa. A intervenção estatal e uma maior regulamentação de mercados começa a ser pedido por sectores liberais. Uma limitação de tecto máximo salarial começa a ser questionado até à direita em alguns países.
Neste momento que todo o mundo começa a virar um pouco mais à esquerda e a abandonar dogmas liberais em Portugal começa-se a assistir à emergência de politicas mais liberais. Ou seja mais uma vez a onda liberal que varreu o mundo chega atrasada a Portugal e quando se verifica actualmente as consequências dos erros cometidos, em Portugal começam a querer cometer os mesmos erros.
Ou seja, a duvida que se coloca é: estaremos condenados a viver sempre atrasados relativamente ao resto do mundo desenvolvido ou teremos nós coragem de começar a tomar medidas realmente inovadoras?

Ascensor Social

Na passada sexta-feira saiu no suplemento de Economia do Publico uma noticia sobre as mulheres que ocupam cargos de Administração nas empresas do PSI-20. Ao todo são somente 7, o que é um espelho do estado civilizacional em que ainda nos encontramos.

No entanto foi interessante analisar os factores de sucesso destas sete mulheres:

- Factor C
Nome: Ana Maria Fernandes
Empresa: EDP
"...e, numa conversa com António Mexia, de quem era amiga e com cujo pai tinha trabalhado no Banco Efisa, lhe disse que tinha duas hipoteses de trabalho em vista. "Ele desafiou-me:'Porque não vens trabalhar comigo para a Galp?'..."

- Factor F
Nome: Claudia Azevedo
Empresa: Sonae SGPS
"Já sobre ser administradora de uma empresa que é da sua familia..."

Nomes: Maria Manuela Vasconcelos Mota, Maria Teresa Vasconcelos Mota, Maria Paula Vasconcelos Mota
Empresa: Mota Engil
"...irmãs do presidente..."

- Factor P
Nome: Maria Celeste Hagatong
Empresa: BPI
"...cito o próprio BPI, onde as mulheres são 52 por cento dos trabalhadores sendo que há 23 por cento de mulheres em cargos de topo..." "Em Setembro de 1974 entra no Ministério da Administração Interna..." "...ingressa no Ministério das Finanças como directora dos serviços financeiros da Direcção Geral do Tesouro..."

No caso de Maria Maude Mendonça de Queiroz Pereira Lagos (Semapa), não tenho nenhuma referência.


No entanto tais factores não pôem em causa a competência destas mulheres. Como a administradora referiu, sendo parte da familia tinha de trabalhar 25% mais. Nem estes factores são exclusivos das mulheres, é uma realidade do mercado de trabalho. Aliás a novidade é mesmo que estes cargos já não são exclusivo de homens.


Este é apenas um reflexo de Portugal. A competência poderá te levar alto no ascensor social mas parece que para chegar à "Penthouse" é necessário ter uma chave especial.


Consumidor ou Cidadão?




Cada vez mais estas nóticias fazem capas de jornais. Temas como a subida do IVA, o valor da Inflacção, o valor do deficit, saltaram do seu campo económico para o campo social e principalmente politico.

Eu sei que todos estes temas são importantes na nossa vida, afectando todos os seus detalhes, no entanto a atenção à volta destes fenomenos tem sido exagerada. Existe uma obsessão, quer a nível da imprensa quer, e principalmente, ao nivel dos nossos políticos. Este dados passaram o campo de simples indicadores e instrumentos para quase serem o centro das ideologias politicas.
Por vezes confundindo-se mesmo com valores que um determinado partido defende.

Ora o mesmo pode ser sentido no caso dos financiamentos ao organismos que tutelam os temas económicos e principalmente o consumo (por motivo de tempo não pude confirmar mas seria interessante comparar o orçamento do Tribunal Constitucional com o Orçamento para a Agência da Concorrência).

Ora todos estes factos encerram uma mudança de paradigma na análise de um país pelos seus politicos. A realidade é que cada vez mais os nossos politícos olham-nos como meros consumidores (Portugal como um espaço de consumidores) em detrimento de nos considerarem cidadãos (Portugal como um espaço de cidadãos). E ao constatar este facto muito do que se tem passado nos ultimos anos em Portugal fica explicado e passa-se a compreender melhor a nossa realidade contemporânea.

Não é boa noticia!

Nunca pensei dizê-lo mas esta não é uma boa notícia. E até é bastante enganadora. Para analisarmos um pouco este efeito vejamos o seguinte cenário:
Partimos do pressuposto que uma pessoa em média recebe 1.000,00 Eur mensalmente (já com subsidios incluidos). Deste 1.000,00 o Sujeito gasta 500,00 Eur para a renda da casa e o que sobra, gasta 70% (350,00 Eur) em bem taxados a 21% de IVA. Assim podemos verificar que:

Cenário 1
O ganho desta diminuição fica nos consumidores.
Assim por mês esta pessoa fica com a "espectacular" quantia de 2,89 Eur por mês. Um aumento no seu rendimento mensal "brutal". A lufada de ar fresco que precisavamos... Por outro lado se partirmos do pressuposto que 5.000.000 de pessoas (população activa) então nesta situação o Estado perde por mês 14.462.809,92 Eur (quase 175.000.000 Eur por ano).
A questão é: será que o beneficio que sentimos é superior a esta perda de receita? Não seria melhor utilizar esta verba para diminuir o a divida do Estado (preferencialmente aos bancos). Julgo que sim, julgo que essa seria a melhor aplicação que o Estado poderia fazer neste momento e uma forma de redistribuir melhor os seus proveitos.

Cenário 2
O ganho desta diminuição fica nas empresas
Talvez seja o cenário mais próximo da realidade dado os montantes e o caso dos "health clubs". Neste caso as empresas passam a ganhar mais 2,41 Eur por pessoa (valor antes de imposto) e o Estado perde por pessoa 1,81 Eur (cerca de 9.000.000 Eur mensais e mais de 100.000.000,00 Eur anuais).
Ou seja com esta medida o Estado acaba por beneficiar as empresas (neste caso accionistas e investidores) em detrimento da população. Acaba por aumentar o rendimento disponível mas aumentando a disparidades economicas em Portugal.

Assim o que parecia uma boa noticia (suadada até pelo PCP) na verdade pouco efeito tem na população em geral. E pior dá a perfeita imagem da fase eleitoralista que vamos iniciar.

Temos de ser honestos e, a bem da verdade, nenhuma grande reforma foi elaborada, e os problemas do Estado mantém-se. Abrandar agora serve apenas os interesses imediatos relativamente a interesses de longo prazo. O pior é que medidas como esta vão fazer com que o esforço que efectuamos seja desperdiçado por uma vontade não de servir os nossos interesses mas os interesses eleitorais de um país.

Portanto esta não é uma boa notícia, pelo contrário, nos tempos que correm é uma péssima notícia!!!

Ligação directa

A partir de agora as noticias do publico que forem comentadas terão uma "Ligação directa" à mesma página. Por esta decisão gostava de dar os meus parabens ao site pois esta integração será muito util na divulgação de blogues e opiniões diversas das do "main stream".

Geração Mimada

Todas as gerações ficam marcados por um episódio menos feliz. A minha ficou marcada por um rabo, esta ficará por uma adolescente aos berros "dá-me o telemóvel".
Aquela imagem acaba por capturar tudo o que esta geração é. É o resultado de uma educação negligente dos pais, e que agora cresceu mas não perdeu os seus hábitos de bébé chorão. É uma geração "estragada" por mimos, por nunca ter tido sentido de responsabilidade e que nunca foi responsável por nada. Há muito que é moda entre "especialistas" que a responsabilidade é de todos menos dos seus actores, foi um grave erro que leva a esta imagem.
Esta é uma geração mimada, demasiada egocêntrica para verificar os seus próprios erros. Como geração mimada que é se algum dia ler estas linhas nunca se reverá nelas mas pior, nunca reflectirá sobre o motivo pelo qual eu escrevo estas palavras. E continuará por aí a amuar sempre que não obtem o que pede, a berrar de uma forma ridicula.
É uma geração mimada que nos espera, não revolucionária, não rasca, simplesmente e extremamente mimada!