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E agora, Daniel? O Silêncio!

Escrevi aqui algumas questões que gostava de ver esclarecido. No entanto o Daniel não respondeu, ou melhor respondeu com o silêncio.

Este silêncio é sintomático do que actualmente acontece no mundo político em que se insere. Um silêncio sufocante que estrangula aquelas pessoas que não são mais que simples pessoas. Julgo que as dúvidas eram legítimas e que no mínimo um “não posso responder” bastava.
Bem, talvez seja o preconceito que me faz escrever estas linhas, o preconceito de quem imagina que você leu o meu comentário no seu blogue mas, vindo de quem vem, julgou que não valia a pena responder. Este preconceito nasce de quem já o viu responder a questões levantadas de menor valor, simples provocações, mas que eram provenientes de pessoas que tinham mais visibilidade.

Assim, embora tenha um estilo diferente, não deixa de cometer o mesmo erro que os nossos políticos, aliás da sociedade em geral comete: o de não ouvir quem é pequeno, quem está por baixo. Nós que apenas temos uns “blogues de vizinhos”, com poucas visitas.

Julgo que a mensagem politica e a própria politica deveria ser feita para pessoas como nós, que estamos afastadas dos microfones e não para os media, para os jornais ou simplesmente para blogues com mais visitas.

Este é o silêncio que faz com que haja um “nós” e um “eles”, que afasta pessoas da política e que os deixa num estado crescente de desespero. Desespero de quem olha à volta e não vê mais ninguém que pessoas iguais a ele próprio, impotentes para provocar uma real mudança, mas perfeitamente conscientes do que está a acontecer à sua volta!

Obrigado à mesma pela disponibilidade de publicar este e o outro comentário, e peço desculpa adiantado caso me tenha enganado no meu julgamento!

E agora, Daniel?

Escrevo-lhe esta carta aberta (o termo mais correcto será “post aberto”) na esperança de obter uma resposta da sua parte.

O Daniel é autor do blogue Arrastão, comentador do Eixo do Mal, cronista do Expresso e militante do Bloco de Esquerda. É nesta ultima condição que lhe escrevo.



Votei no PS nas últimas eleições. Votei convicto que Sócrates representava a melhor alternativa, mas mais do que isso votei a pensar que finalmente tínhamos um politico capaz de promover alterações e melhorar as condições de vida em Portugal. Fiz parte daquela enorme massa de eleitores que votaram predispostos a fazer sacrifícios para que existisse reformas que sustentassem um Estado de Esquerda.



No entanto, passados estes três anos sei que me enganei. Na minha opinião, o PS não implementou as reformas necessárias mas as reformas de cosmética que apenas servem para reorganizar o estado de forma a assegurar cargos políticos para membros militantes do PS afectos não ao aparelho político do PS mas sim de Sócrates. Aprendi a ouvir o nosso Primeiro-ministro para além dos soundbites estridentes mas vazios de real conteúdo.



Aprendi e compreendi que é preferível não fazer nada do que a fazer algo que prejudique pessoas.

Assim passado três anos tomei a decisão de não suportar este PS e o seu líder. Mas tal decisão acarreta consequências que poderão ser graves. Poderia decidir, como seria tentador, votar em branco. Afinal, actualmente não me revejo em nenhum partido politico, e sentindo-me órfão, o mais simples e mais honesto (tenho de admitir) era votar em branco. Só que tal apenas daria força aos partidos (excluindo o PS) e principalmente reforçaria a posição do PSD (2º partido). Ora isso é o que não queria que acontecesse. Menezes seria o pior que poderia acontecer ao país actualmente. Menezes pactua com o PS na acção de diminuir a democracia em Portugal, é incompetente em matérias financeiras (a minha opinião deriva da sua actuação em Gaia) e defende o lado liberal e populista do PSD. Com ele teríamos menos Estado e pior Estado.

E é nesta encruzilhada que lhe escrevo. Eu terei que votar (votar em branco está portanto fora da questão) e sendo de esquerda terei de escolher nos restantes 2 partidos. Como, por motivos pessoais não escolherei o PCP (a sua actuação no passado e as suas convicções ainda actuais – por exemplo o apoio de Estaline – são incompatíveis com os meus ideais) resta-me o Bloco de Esquerda. E assim gostaria que me respondesse a algumas dúvidas que são para mim importantes para tomar a minha decisão.

Falta pouco tempo para as próximas eleições e portanto não existe tempo de criação de um novo partido político, apenas resta o Bloco de Esquerda, mas a vantagem que o Bloco tem (nunca ter tido um pasta de governo) também é o seu handicap maior. Faz com que não tenha a certeza se o Bloco já tem a capacidade para assumir uma pasta.

1-Mas caso o faça qual seria a pasta que escolheria e qual seria a sua actuação?

2-Não sendo claro o guia de acção do Bloco de Esquerda, seria o Bloco capaz de defender medidas de diminuição de cargos políticos no Estado (nomeadamente o número exagerado de lugares de representação municipal) para libertar fundo para apoio directo à pobreza?

3-Seriam capazes de defender um politica de tecto máximo salarial de forma a diminuir o Gap entre mais pobres e ricos?

4-Esta próxima dúvida, julgo uma que será essencial, seriam capazes de abandonar a exigência de um referendo ao tratado de Lisboa?

Estas são as primeiras dúvidas que tenho, mas tenho uma mais permente. Como eu julgo que existem muitas pessoas que deixarão de votar PS. Pelo que durante a próxima campanha será importante assegurar que não cairão na tentação de criticar a actuação do PS exageradamente de forma a captar os votos de pessoas, que como eu, estão desiludidas com o PS e depois das eleições terem de conviver com esse mesmo executivo. A minha dúvida é:

- Quais são os pontos que estão dispostos a abdicar para formar governo com o PS? Ou serão incapazes de tal acordo, mesmo que seja o mais benéfico para o país?

Bem julgo que já me alonguei em demasia pelo que para já não irei colocar mais nenhuma questão.

Sei que o Bloco cresceu muito, sei que foi capaz de ser eleito para o Parlamento e ganhar eleições municipais.




E agora Daniel? Será capaz de enfrentar o próximo desafio?