A prisão interior

Julgo que chega a altura de discutir com seriedade o que queremos do "interior". Existe em nós, e os politicos são um espelho, um sentimento de nostalgia pelo "interior". Acredito que tal sentimento está enraizado desde a revolução industrial quando os primeiros camponeses sairam do "interior" e rumaram às grandes cidades para fazerem a sua vida. Muitas vezes utiliza-se a expressão "é necessário prender as pessoas no interior" que não deixa de ser muito feliz. Pois actualmente o "interior" é isso mesmo, uma prisão.
Esta medida enquandrasse num rol de propostas populistas e vãs que Menezes nos habituou, e nisso não é uma supresa. Apenas prova que não será capaz de ser primeiro ministro com esta mentalidade de pároco de igreja sem que tenha uma visão global do nosso País.
P.S. Ingleses, alemães, franceses, espanhóis, americanos e outros devem rir à gargalhada quando nós falamos de "interior". Só num país com mentalidade idêntica ao seu tamanho para debatermos o nosso "interior"...

Olimpismo

Olympic Charter, Fundamental principles

"1. Olympism is a philosophy of life, exalting and combining in a balanced whole the qualities of body, will and mind. Blending sport with culture and education, Olympism seeks to create a way of life based on the joy found in effort, the educational value of good example and respect for universal fundamental ethical principles.
2. The goal of Olympism is to place sport at the service of the harmonious development of man, with a view to promoting a peaceful society concerned with the preservation of human dignity.
3. The Olympic Movement is the concerted, organised, universal and permanent action, carried out under the supreme authority of the IOC, of all individuals and entities who are inspired by the values of Olympism. It covers the five continents. It reaches its peak with the bringing together of the world’s athletes at the great sports festival, the Olympic Games. Its symbol is five interlaced rings.
4. The practice of sport is a human right. Every individual must have the possibility of practising sport, without discrimination of any kind and in the Olympic spirit, which requires mutual understanding with a spirit of friendship, solidarity and fair play. The organisation, administration and management of sport must be controlled by independent sports organisations.
5. Any form of discrimination with regard to a country or a person on grounds of race, religion, politics, gender or otherwise is incompatible with belonging to the Olympic Movement.
6. Belonging to the Olympic Movement requires compliance with the Olympic Charter and recognition by the IOC."

Portugal, que futuro?

Julgo que estamos a caminhar para um periodo dificil, tanto a nível nacional como internacional. E uma vez mais estamos perante o velho paradigma esquerda ou direita. Com as condições de vida a piorar começamos a assistir a pequenos debates que até aqui não fariam sentido. E modelos até agora inquestionáveis são postos em causa. A intervenção estatal e uma maior regulamentação de mercados começa a ser pedido por sectores liberais. Uma limitação de tecto máximo salarial começa a ser questionado até à direita em alguns países.
Neste momento que todo o mundo começa a virar um pouco mais à esquerda e a abandonar dogmas liberais em Portugal começa-se a assistir à emergência de politicas mais liberais. Ou seja mais uma vez a onda liberal que varreu o mundo chega atrasada a Portugal e quando se verifica actualmente as consequências dos erros cometidos, em Portugal começam a querer cometer os mesmos erros.
Ou seja, a duvida que se coloca é: estaremos condenados a viver sempre atrasados relativamente ao resto do mundo desenvolvido ou teremos nós coragem de começar a tomar medidas realmente inovadoras?

Ascensor Social

Na passada sexta-feira saiu no suplemento de Economia do Publico uma noticia sobre as mulheres que ocupam cargos de Administração nas empresas do PSI-20. Ao todo são somente 7, o que é um espelho do estado civilizacional em que ainda nos encontramos.

No entanto foi interessante analisar os factores de sucesso destas sete mulheres:

- Factor C
Nome: Ana Maria Fernandes
Empresa: EDP
"...e, numa conversa com António Mexia, de quem era amiga e com cujo pai tinha trabalhado no Banco Efisa, lhe disse que tinha duas hipoteses de trabalho em vista. "Ele desafiou-me:'Porque não vens trabalhar comigo para a Galp?'..."

- Factor F
Nome: Claudia Azevedo
Empresa: Sonae SGPS
"Já sobre ser administradora de uma empresa que é da sua familia..."

Nomes: Maria Manuela Vasconcelos Mota, Maria Teresa Vasconcelos Mota, Maria Paula Vasconcelos Mota
Empresa: Mota Engil
"...irmãs do presidente..."

- Factor P
Nome: Maria Celeste Hagatong
Empresa: BPI
"...cito o próprio BPI, onde as mulheres são 52 por cento dos trabalhadores sendo que há 23 por cento de mulheres em cargos de topo..." "Em Setembro de 1974 entra no Ministério da Administração Interna..." "...ingressa no Ministério das Finanças como directora dos serviços financeiros da Direcção Geral do Tesouro..."

No caso de Maria Maude Mendonça de Queiroz Pereira Lagos (Semapa), não tenho nenhuma referência.


No entanto tais factores não pôem em causa a competência destas mulheres. Como a administradora referiu, sendo parte da familia tinha de trabalhar 25% mais. Nem estes factores são exclusivos das mulheres, é uma realidade do mercado de trabalho. Aliás a novidade é mesmo que estes cargos já não são exclusivo de homens.


Este é apenas um reflexo de Portugal. A competência poderá te levar alto no ascensor social mas parece que para chegar à "Penthouse" é necessário ter uma chave especial.


Consumidor ou Cidadão?




Cada vez mais estas nóticias fazem capas de jornais. Temas como a subida do IVA, o valor da Inflacção, o valor do deficit, saltaram do seu campo económico para o campo social e principalmente politico.

Eu sei que todos estes temas são importantes na nossa vida, afectando todos os seus detalhes, no entanto a atenção à volta destes fenomenos tem sido exagerada. Existe uma obsessão, quer a nível da imprensa quer, e principalmente, ao nivel dos nossos políticos. Este dados passaram o campo de simples indicadores e instrumentos para quase serem o centro das ideologias politicas.
Por vezes confundindo-se mesmo com valores que um determinado partido defende.

Ora o mesmo pode ser sentido no caso dos financiamentos ao organismos que tutelam os temas económicos e principalmente o consumo (por motivo de tempo não pude confirmar mas seria interessante comparar o orçamento do Tribunal Constitucional com o Orçamento para a Agência da Concorrência).

Ora todos estes factos encerram uma mudança de paradigma na análise de um país pelos seus politicos. A realidade é que cada vez mais os nossos politícos olham-nos como meros consumidores (Portugal como um espaço de consumidores) em detrimento de nos considerarem cidadãos (Portugal como um espaço de cidadãos). E ao constatar este facto muito do que se tem passado nos ultimos anos em Portugal fica explicado e passa-se a compreender melhor a nossa realidade contemporânea.

Não é boa noticia!

Nunca pensei dizê-lo mas esta não é uma boa notícia. E até é bastante enganadora. Para analisarmos um pouco este efeito vejamos o seguinte cenário:
Partimos do pressuposto que uma pessoa em média recebe 1.000,00 Eur mensalmente (já com subsidios incluidos). Deste 1.000,00 o Sujeito gasta 500,00 Eur para a renda da casa e o que sobra, gasta 70% (350,00 Eur) em bem taxados a 21% de IVA. Assim podemos verificar que:

Cenário 1
O ganho desta diminuição fica nos consumidores.
Assim por mês esta pessoa fica com a "espectacular" quantia de 2,89 Eur por mês. Um aumento no seu rendimento mensal "brutal". A lufada de ar fresco que precisavamos... Por outro lado se partirmos do pressuposto que 5.000.000 de pessoas (população activa) então nesta situação o Estado perde por mês 14.462.809,92 Eur (quase 175.000.000 Eur por ano).
A questão é: será que o beneficio que sentimos é superior a esta perda de receita? Não seria melhor utilizar esta verba para diminuir o a divida do Estado (preferencialmente aos bancos). Julgo que sim, julgo que essa seria a melhor aplicação que o Estado poderia fazer neste momento e uma forma de redistribuir melhor os seus proveitos.

Cenário 2
O ganho desta diminuição fica nas empresas
Talvez seja o cenário mais próximo da realidade dado os montantes e o caso dos "health clubs". Neste caso as empresas passam a ganhar mais 2,41 Eur por pessoa (valor antes de imposto) e o Estado perde por pessoa 1,81 Eur (cerca de 9.000.000 Eur mensais e mais de 100.000.000,00 Eur anuais).
Ou seja com esta medida o Estado acaba por beneficiar as empresas (neste caso accionistas e investidores) em detrimento da população. Acaba por aumentar o rendimento disponível mas aumentando a disparidades economicas em Portugal.

Assim o que parecia uma boa noticia (suadada até pelo PCP) na verdade pouco efeito tem na população em geral. E pior dá a perfeita imagem da fase eleitoralista que vamos iniciar.

Temos de ser honestos e, a bem da verdade, nenhuma grande reforma foi elaborada, e os problemas do Estado mantém-se. Abrandar agora serve apenas os interesses imediatos relativamente a interesses de longo prazo. O pior é que medidas como esta vão fazer com que o esforço que efectuamos seja desperdiçado por uma vontade não de servir os nossos interesses mas os interesses eleitorais de um país.

Portanto esta não é uma boa notícia, pelo contrário, nos tempos que correm é uma péssima notícia!!!

Ligação directa

A partir de agora as noticias do publico que forem comentadas terão uma "Ligação directa" à mesma página. Por esta decisão gostava de dar os meus parabens ao site pois esta integração será muito util na divulgação de blogues e opiniões diversas das do "main stream".

Geração Mimada

Todas as gerações ficam marcados por um episódio menos feliz. A minha ficou marcada por um rabo, esta ficará por uma adolescente aos berros "dá-me o telemóvel".
Aquela imagem acaba por capturar tudo o que esta geração é. É o resultado de uma educação negligente dos pais, e que agora cresceu mas não perdeu os seus hábitos de bébé chorão. É uma geração "estragada" por mimos, por nunca ter tido sentido de responsabilidade e que nunca foi responsável por nada. Há muito que é moda entre "especialistas" que a responsabilidade é de todos menos dos seus actores, foi um grave erro que leva a esta imagem.
Esta é uma geração mimada, demasiada egocêntrica para verificar os seus próprios erros. Como geração mimada que é se algum dia ler estas linhas nunca se reverá nelas mas pior, nunca reflectirá sobre o motivo pelo qual eu escrevo estas palavras. E continuará por aí a amuar sempre que não obtem o que pede, a berrar de uma forma ridicula.
É uma geração mimada que nos espera, não revolucionária, não rasca, simplesmente e extremamente mimada!

Portugal ou o país do Tuga?

Por vezes coloco-me esta questão. Que país é este em que vivo? Qual é o nosso futuro? ou porque é que sinto que pela primeira vez em muito tempo caminhamos para um futuro pior que o passado?
São algumas questões que coloco a mim próprio e que me faz duvidar que esteja em Portugal.
Este é mais o país dos Tugas, em que o chico espertismo é valorizado. Em que a arrogancia é confundida com determinação e onde a liberdade perde o seu valor. É um país que não sabendo para onde vai também não se preocupa com isso.
O país paralisado, indiferente ao que vai acontecendo, que perdeu as forças necessárias para sonhar e concretizar esse sonho. Num determinado Abril construiu-se um sonho (bom ou mau, agora é indiferente) mas não existe coragem para continuar a sonhar. Quem veio de longe foi para longe, não deixando a sua marca.
Portugal é um país mas o país do Tuga é um aglomerado de pessoas que ocupam um determinado espaço e que, por mera obra irónica do destino, convive e sobrevive.
Eu nasci em Portugal, mas hoje não sei mais se vivo em Portugal ou no País do Tuga!

O caminho que caminhamos...

Quem julga que o ensino em Portugal é mau ou que os professores são incompetentes deve estar fora do País isolado num canto qualquer deste globo, numa Caverna de Sócrates.

Este ano os professores além de ensinarem os seus alunos ainda encontraram força suficiente para ensinar o país inteiro várias lições importantes. Ensinaram-nos que é importante não esquecer que vivemos em democracia e que como tal temos muitos instrumentos que temos e devemos utilizar. Mostraram-nos como fazer uma manifestação com preocupações de não afectar outras pessoas. Ensinaram-nos que nós não somos reféns de Sindicatos ou partidos, e de que estes são úteis numa contestação.

Mas a lição mais importante que nos tentaram ensinaram e que julgo que nós sociedade civil corremos o risco de não aprender: que a dignidade é um valor superior a qualquer valor financeiro. E julgo que não aprendemos esta lição pois ainda hoje não existe um movimento suficientemente forte para obrigar o governo a parar esta avaliação.

Existiu ao longo deste ultimo ano dois temas verdadeiramente fracturantes na sociedade: o Aeroporto e a reforma no Ensino. Ambos são investimentos enormes que a sociedade está a fazer, e onde o custo de oportunidade é muito elevado pelo que não deve de existir margem para erro. E também ambos são temas que já estão a ser estudados há muito tempo.

No entanto embora sejam muito semelhantes uma afecta o centro da sociedade (as pessoas) enquanto outro afecta apenas interesses económicos. O que foi e continua a ser estranho é que enquanto no caso do aeroporto se tomou a decisão correcta quando surgiram dúvidas “fundamentadas” da bondade da decisão (parou-se para efectuar novos estudos e alterou-se a decisão), no caso da reforma do ensino tem-se defendido a atitude exactamente oposta: primeiro age-se e depois é que se verifica os danos.

Infelizmente vivemos numa sociedade que é assim, que se preocupa mais com uma infraestrutura do que com as pessoas. É triste caminho que caminhamos neste momento. O mais estranho é ser caminhado por um governante “supostamente” socialista…