Music From My Past: "Changes" 2Pac

Redescobri há pouco tempo esta música. Durante bastante tempo o Rap, na sua vertente Gangsta foi um dos meus estilos preferidos. Na realidade ainda o é, embora já tenha desaparecido há muito tempo. Os sons combinados com a força das letras mexiam bem dentro de mim. Para mim a música não é um simples conjunto de acordes, é uma forma de arte que nos entrega emoções e distribui ideias.

Não deixa de ser algo irónico reencontrar agora esta musica. A meio da mesma 2 Pac diz: "America isn't ready to see a black Presidente yet..."

Afinal something change...

Ser, ter e viver...

E de repente começo a escrever outra vez. O motivo? Nenhum, a não ser a minha vontade de o fazer. Bem sei que no tempo que estive mais ausente o mundo quase ruiu, o Apocalipse está ao virar da esquina e não existirá salvação para os impolutos e pecadores - quem quer que eles sejam.

Eu continuo pouco preocupado com isso e mais preocupado em entender algo mais da vida. Para mim ainda é um pequeno segredo que vou desvendando aos pouco (será que devo escrever "vida" com um V ou com um v?).

De tanto pensar cheguei à conclusão que podemos dividir as pessoas em três grandes grupos.
Se eu fosse um homem de gestão, daqueles que em cada duas palavras uma termina em "...ing" ou em "...ent", faria um gráfico com três vectores que dão o título a este post.

Olho à minha volta e vejo que neste momento a nossa sociedade vive com muitas pessoas cujo o sonho desta vida é o "ter". Para essas, a vida é uma equação simples de resolver. Basta-lhes concentrar numa fonte de rendimento e depois é só "ter". E para "ter", esta sociedade é perfeita e dá multiplas opções - basta olhar para os anúncios à nossa volta.
Outra forma simples de estar na vida é a dos que têm o sonho de "viver". Para eles o simples tiquetaquear do relógio biológico é suficiente e o tempo está sempre do seu lado, pois o simples acto de estar vivo e apreciar esse facto é um realizar do seu sonho.
E depois existe aqueles cujo o sonho de vida é o "ser". E para eles é que é mais complicado. Pois ao contrário dos anteriores são os unicos que estão dependentes de outros e das várias intempéries da vida. Esses têm materializar o imaterial e tornar real o que a sua mente dita com sendo "ser".
Obviamente como eu sou terrível a fazer escolhas, das três alternativas que poderia escolher tinha de optar pela mais complicada. Bastava ter perdido cinco segundos em criança para me aperceber que o caminho que escolhi era um pouco, com devo dizer..., estúpido, pois dos três é mesmo aquele cujo a probabilidade de falhar é enorme.
Bem mas agora não interessa nada. Escolhido o caminho resta-me caminhar, e como dizia o poeta: O caminho...

Dias seguintes - tributo a António Feio

O sentimento é mais intenso no dia em que parte. Mas é nos dias seguintes que nos apercebemos da dimensão da sua partida.

A rotina impõe-se mas já não é a mesma. Já não pode ser. Sentimos então a ausência desse alguém que sempre nos marcou. Apercebemo-nos de que todos aqueles pequenos momentos prenchiam parte da nossa vida.

Os dias seguintes são sempre mais difíceis. Mas são tambéns os dias em que nos apercebemos que a morte é apenas um reminder de que ainda estamos vivos e que é agora, e não depois, que temos que apreciar quem está à nossa volta.

A quem partiu resta-nos recordar o melhor que ele nos deu para que seja eternamente vivo.

E neste caso a oferta foi a mais generosa que um ser humano pode dar: um sorriso. Por isso hoje, apesar da tristeza, sorrio...

Imaginar o futuro!

Existem muitos motivos para esta crise. Umas circunstanciais outras fundamentais. No entanto se tivesse que escolher uma diria escolheria a incapacidade de imaginar o futuro como a principal.

Se o fim do sec. XX alimentou muito a imaginação e essa imaginação permitiu muita inovação e mudanças nas nossas vidas, desde do inicio deste seculo que se foi esbatendo esse combustivel até chegarmos a 2010 sem a capacidade e a ousadia de imaginar o futuro. E sem isso iremos continuar a definhar...

Por mares nunca antes navegados...

Ao ver os nossos políticos, ao ler as notícias e ao ler alguns artigos da blogosfera parece-me que uma vez mais vamos navegar por mares nunca antes navegados. Não falo de mares reais mas de mares mentais.

Não sei muito bem explicar como chegámos aqui, mas a verdade é que nunca antes existiu uma tão grande ausência do mínimo bom senso da actividade politica e já agora também económica. Parece que nos esquecemos de alguns princípios básicos de viver em sociedade e paulatinamente destruímos os laços de solidariedade que mantém uma sociedade como sociedade e não simplesmente um grupo de indivíduos que habita espaços conexos.

A argumentação relativamente às SCUT's é sintomático disso. Esta moda do utilizador-pagador é mesmo isso, uma moda. Pelo menos da forma como tem sido argumentada. Certamente faz sentido em algumas situações, mas não em todas. Existem AE's que podem ser SCUT's e devem ser SCUT's, outras que nem por isso.

De vez em quando até ouço que se deve aplicar a mesma coisa à saúde e à educação. O argumento? Tão simples como: "Eu não tenho que pagar a saúde dos outros ou a educação dos outros!"

E eu pergunto-me: então e os "outros"? Deverão eles sofrer pela estupidez alheia? Parece-me que tal seja no mínimo injusto...

Assim, com esta quebra de solidariedade e de bom-senso, arriscamo-nos mesmo a caminhar por mares nunca dantes navegados! E não serão mares calmos certamente...

Tributo a Saramago

Morreu na sexta um dos maiores escritores de todos os tempo. Como ele disse efectivamente ele não morreu. Isto é Saramago escritor viverá enquanto a sua obra perdurar.

Tive o privilégio de ser contemporaneo de Saramago. De conhecer os seus livros, os seus discursos e o seu pensamento. Estranhamente só conheci Saramago numa altura bem tarde da minha vida, no entanto julgo que foi na altura certa, numa altura que já tinha trilhado o meu pensamento e portanto tinha uma outra capacidade de compreender Saramago.

Ao ler pela primeira vez Saramago compreendi o que é ser um génio e quais os meus limites, compreendi também que Saramago nunca seria mais um escritor português mas que entraria directamente para aquele restrito grupo de génios que este país consegue de tempos a tempos criar.

O unico arrependimento é o de não ter tido a possibilidade de ter uma longa conversa com ele. Infelizmente agora resta-me apenas o seu enorme legado para responder ás minhas duvidas pois a pessoa que era Saramago desapareceu nesta ultima sexta feira de primavera...

Solução para os problemas de Portugal

Regresso de um pequeno-longo periodo de férias. Passeie-me por castelos, ruas e parques e perdi-me da realidade portuguesa. Ao chegar fiquei contente por Portugal existir, dado que nos ultimos tempos parece que vem aí o apocalipse.

Julgo que neste tempo descobri a solução para os problemas de Portugal: irmos todos de férias. Isto é pararmos durante um mês para irmos conhecer outras realidades. Talvez quando voltassemos com a cabeça mais leve e dessa maneira deixassemos de falar de tantos problemas e os começassemos a resolver.

No-mad: Em viagem

(desculpem pela falta de acentos mas onde estou o teclado nao tem os nossos amados acentos)

Escrevo pela prineira vez em viagem. Depois de um ano e meio de trabalho nao stop consegui finalmente gozar umas ferias. E dificil descrever inteiramente a sensacao de estar em viagem. O destino foi a Europa Central (algumas cidades) e Amsterdao, e tem sido uma experiencia fenomenal. Para alem do prazer habitual de viajar, acabo por ir parar a um destino que embora esteja aqui tao perto, na realidade e um mundo um pouco desconhecido de nos (pelo menos de mim).

E tem sido uma enorme aprendizagem, quer de locais, pessoas, acontecimentos, etc... No fundo tem sido o que qualquer viagem devera ser: um enorme prazer.

Por agora e tudo o que posso escrever pois o tempo e limitado e nao tarda nada ficarei sem o computador. Escreverei mais tarde sobre esta enorme experiencia que tem sido a minha viagem.

P.S. como e bom estar afastado da realidade portuguesa... :)

Assim vale a pena (ir à feira do livro)

A feira do livro apareceu na minha vida tardiamente. Foi apenas na minha adolescência que experienciei uma ida à feira. Mas foi paixão à primeira vista. A mistura do movimento, sons e cultura fez-me sentir como uma criança no meio de uma loja de doces. Tendo crescido numa altura que não existia "colombos", os livros que tinha conhecido fisicamente eram os que podiam caber numa pequena loja de bairro. Assim, de repente, estava no meio de um oceano de escritores, histórias e pensamentos.

Escusado será dizer que se tornou num ritual anual. Assim depois de um ano de ausência (com a overdose de trabalho não pude ir o ano passado) lá regressei. Desta vez foi à noite, algo que ainda não tinha feito. Não estava tão cheio como habitualmente. E lá fui eu subindo o parque, ziguezagueando pelas bancadas de editoras. Não tinha nenhum livro em mente mas estava á espera de comprar um autor português. Quando cheguei ao espaço Leya já estava um pouco frustrado pois ainda não tinha encontrado nada. No entanto tinha a esperança de satisfazer essa vontade nesse espaço. Depois de um bocado, e de ter saltado várias bancas, a minha frustração aumentou significativamente. Todos os autores que tinha escolhido estavam estupidamente mais caros do que eu imaginaria. Fui então para a Caminho pois, depois de me ter rendido à realidade dos preços, achei que Saramago me daria o melhor value for money que poderia obter. Mas ao desfolhar o Caim lembrei-me que tinha um livro de Saramago por ler. Pensei que seria estupido comprar um novo livro e comecei a minha descida.

Reparei na bancada da Fnac e decidi ver o que tinha. Resumindo o que se passou apenas digo que voltei a sorrir como uma criança. E de repente estava a comprar que nem um maluco. Comecei pelo "A arte da guerra" de Sun Tsu, um livro para ler com calma mas que sempre quis ter mas que era sempre demasiado caro. De seguida, e sem nenhuma ordem definida comprei o "Human, all too human & Beyond good and evil" de Nietzsche, um autor que sempre quis ler, o "The Pickwick papers" de Charles Dickens para me deixar o meu espirito animado e apurar uma parte da minha escrita, o "Tom Sawyer abroad & Tom Sawyer detective" de Mark Twain para finalmente conhecer o Tom que sempre me apaixonou, o "Alice no país das maravilhas" de Lewis Carroll para entrar num mundo que faz mais sentido que aquele em que vivemos actualmente, o "Rights of Man" de Thomas Paine para entender melhor o Estado tal como ele é hoje e o "Democracy in America" de Alexis de Tocqueville para regressar a uma America que anda bastante escondida nos tempos que correm.

E quando preparo-me para me ir embora ouço que Richard Zimler, um escritor que aprecio bastante, irá fazer uma apresentação de uma curta-metragem que ele escreveu. Não querendo perder a oportunidade de o ver ao vivo lá regressei ao espaço Leya. Gostei dele, que me pareceu simples, humilde e simpático. No meio da apresentação voltei a perceber porque é que faz sentido o Estado patrocinar o cinema. A verdade é que essa curta-metragem que eu estava a ver nunca teria existido se o Estado não tivesse contribuido. Essa mesma curta-metragem que recebeu um prémio num festival importante de Nova Iorque. Depois do filme ainda tive oportunidade de fazer um pergunta ao escritor, vencendo assim a minha natural timidez. Depois veio a apresentação de um movimento artistico, e entre um momento e outro ainda tive tempo de ter inspiração para o meu segundo conto que vou escrever.

Dei-me por satisfeito e decidi terminar a minha visita. Fui de novo ziguezagueando as bancadas e ainda consegui encontrar mais um livro. Foi o "Actualidades" de Albert Camus, autor de um dos meus livros favoritos e alguém que quero conhecer melhor.

Agora sim, agora estava preparado para me ir embora. E se não se importam nos próximos meses estarei ocupado a ler...

P.S. só por curiosidade estes livros todos custaram-me menos que 31 eur. Talvez a nossa falta de hábito de leitura não derive tanto da nossa cultura mas sim dos preços estupidamente caros dos livros editados em Portugal.

No-Mad: Libdem Experience

Qualquer viajante dir-vos-á que existe uma diferença significativa entre ser-se turista e ser-se viajante. Não sei ainda se já sou viajante, no entanto tenho a certeza que turista não o sou. E tive esta certeza quando fui a Londres ajudar na campanha para os Liberais Democratas ingleses.

Se fosse turista esta experiência teria sido terrível. Dois dias e meio a trabalhar não é claramente a ideia de viagem perfeita para um turista. No entanto tenho de confessar que foi uma experiência muito enriquecedora para mim.

Raramente tenho oportunidade de conhecer a faceta mais “prática” de uma cidade. Sempre tive curiosidade em saber como é que as pessoas interagem entre elas, como são as suas casas ou como são os bairros das pessoas que realmente vivem na cidade. Eu sei que foram apenas dois dias e meio, que no fundo nunca abandonei a condição de “extraterrestre”. No entanto foram dois dias intensos, e de intenso trabalho e de convívio com inúmeras pessoas.

A vantagem deste tipo de viagem é que temos uma experiência por dentro em vez de uma mera experiência externa. Temos uma pequena imagem das pessoas no seu “habitat” natural, da sua simpatia e generosidade, da sua vontade de ter o trabalho pronto, mas reservando sempre espaço para um convívio ao fim do dia no pub mais próximo.

Uma campanha na Inglaterra é uma perfeita loucura, principalmente na última semana. As máquinas não param de imprimir, as pessoas correm sem parar. Qualquer ajuda é bem vinda porque trabalho nunca falta. Existem diferenças profundas na atitude e na forma de se fazer campanha. As campanhas em Inglaterra, dado os círculos uninominais, têm uma componente bastante local e o esforço é feito bairro a bairro, rua a rua, porta a porta. Todos os dias estão a sair panfletos e serem distribuídos. Elaboram-se cartas personalizadas. Contam-se votos e existe uma forte pressão pessoal. Infelizmente não pude estar presente no dia das eleições, que é quinta-feira, mas dizem-me que esta loucura é ainda maior, com a distribuição a começar às 04h00 da manhã e termina quando as urnas fecham.

E no meio desta loucura pude ainda aproveitar para experienciar todos os pequenos detalhes que na minha estadia anterior me tinham escapado. Por exemplo, de como o conceito das caixas de correio na Inglaterra é profundamente diferente das nossas, sendo maioritariamente colocadas nas portas da própria casa, mesmo que seja de um apartamento de um prédio. E de como este facto vez criar formas para que as pessoas não olhem directamente para dentro das casas através das caixas de correio. Outro exemplo é a forma como o espaço público está sempre impecavelmente arranjado, não deixando antever que por dentro de um prédio, que passaria de classe média cá, está algo muito próximo de habitação social, cheia de culturas e cheiros distintos.

E é isto que tornou esta experiência algo única, pois ao estar num sítio a executar uma tarefa que me obrigou a ir a todo o bairro, tive oportunidade de ver todos estes detalhes, todos os pormenores que uma visão mais superficial me escaparia.

Numa pequena palavra esta experiência foi: Brilliant!