Feminismo

Sempre tive dificuldade em entender que se afirma como não sendo feminista. Afinal ser-se feminista é somente ser a favor dos direitos humanos e da sua aplicação universal a qualquer indivíduo.


Eu nem consigo imaginar como terá sido à 35 anos atrás. Refere a noticia que foram insultad@s por cerca de 3.000 homens. Impensável nos dias que correm e ainda bem. No entanto, não é por ser menos visível que os problemas diminuiram. Hoje tudo é mais invisível e por isso mais difícil de combater. É uma discriminação latente mais que uma discriminação presente. Ela deriva de acesso a cargos de poder, de forma de raciocinar, de um conjunto de pequenos gestos e acções, fruto da nossa cultura que estão no nosso dia-a-dia e que fazem que, infelizmente, a realidade de uma mulher ainda seja normalmente diferente da realidade de um homem.

Pessoalmente ambiciono por um futuro em que já não seja possível escrever, com algum sentido lógico, a frase com que terminei o ultimo parágrafo. Que cada individuo seja livre para ser o que bem entender e que isso parta da escolha do individuo e não das regras de sociedade externamente impostas.

P.S. É a segunda vez que leio que uma famosa "queima de soutiens" na realidade não existiu (o mesmo ocorreu nos USA). É impressionante a capacidade orwelliana de transformar uma ficção em realidade por quem domina uma sociedade.

No-mad: Berlim

Ainda antes de aterrar já estava nervoso. Ou melhor ansioso. Como será a cidade? Será que vai superar as minhas expectativas? Como me vou desenrascar nesta cidade? Eram estas as dúvidas que preenchiam os meus pensamentos quando o avião começou a perder altitude.

Passado uns momentos, o avião abordou a pista de aterragem e pouco tempo depois já tinhamos aterrado. Assim que parou, a maior parte dos passageiros saltou do seu banco, como que impulsionados por uma mola invisível. Eu deixei-me estar. Queria sair sem pressas, com a capacidade de desfrutar todos os momentos, particularmente o de saída do avião. Gosto das primeiras sensações que nós saboreamos ao sair do avião - a brisa, os sons, o cenário por detrás do aeroporto, o próprio aeroporto e a sua organização - ou traduzido por outras palavras, gosto de saborear todos os momentos que nos dizem que a nossa viagem está a começar.

Após a saída da primeira vaga de passageiros levanto-me, vou buscar a minha mala e dirijo-me para a saída. A primeira sensação que me invade é o de uma brisa gélida, terrivelmente gélida. Afinal era verdade o que diziam de Berlim em Dezembro. Enquanto desço pelas escadas vejo que tenho que andar um pouco pela pista até chegar ao aeroporto. Tudo muito bem sinalizado, diria mesmo impecavelmente sinalizado. Não esperaria menos de uma cidade alemã. A primeira surpresa ocorre quando reparo no aeroporto, que não é tão grande como imaginaria. Sigo então a fila e a escadarias que me guiam à saida.

A minha viagem começa realmente neste percurso. Escolhi Berlim pelo seu presente (cidade com um movimento underground invejável) e pelo seu passado. Esta cidade é para mim o simbolo do século XX europeu e ocidental. Foi nesta cidade que se discutiu, e se moldou, muito do que é o nosso presente. Foi o palco de dois dos regimes mais brutais que a humanidade conheceu (o nazismo e o comunismo) e palco simbólico da luta entre a democracia liberal e o comunismo ditatorial. E é a este comunismo que o aeroporto apela.

Ao caminhar pelos seus corredores, quase que tenho a sensação de estar ainda nessa fase desta cidade. Os seus corredores despidos e racionais, semi-nus de publicidade, fazem-me transportar para um mundo que nunca vi, que apenas tinha imaginado, e que este aeroporto teve o condão de o tornar realidade. Foi assim que, caminhando pelos corredores deste aeroporto, iniciei a minha viagem.

Sem rede...

Hoje escrevo sem rede, isto é, escrevo sem ter qualquer intenção que não seja apenas o de escrever o que me vier à cabeça. Não sei muito bem porque o faço, apenas sei que o faço. Por vezes estou assim, sem motivo aparente de ter algo para escrever mas com uma vontade, superior a mim mesmo de o fazer.

Na maioria das vezes faço-o num ficheiro word, e depois apago-o. Assim é um pensamento, um desabafo que nunca chega a existir. Desta vez é diferente, não me apetece escrever algo que não tenha uma existência, que não fique registado. Sei que o que escrevo certamente não será lido, apenas será um conjunto de caracteres que ficarão registado nestas paredes de gruta modernas a que chamamos internet. Será que algum dia isto será um fóssil, e um ser humano de uma era futura terá a capacidade de ler o que estou a escrever? E conseguindo decifrar o que imaginará? Será que conseguirá apreender o que é isto que escrevo? Certamente tentará enquandrar com os valores e as realidades que serão o seu presente e se calhar estas dúvidas que coloco aqui não lhe farão nenhum sentido. Nesse caso ele apenas terá a capacidade de distinguir os caracteres que escrevo nada mais, o resto, o que realmente importa - o conteudo - estará ausente.

E se isso acontecer será sem dúvida um optimo paralelo com a realidade que vivemos agora, demasiada distraida com as formas - os caracteres - e menos com o seu significado - com o conteudo.

Não sei muito bem se o que escrevo faz algum sentido, também não saberei até voltar a reler num futuro próximo, pois é assim que faço quando escrevo sem rede, simplesmente escrevo e não olho para trás. Por vezes quando escrevo assim nem sou eu que escrevo, mas sim o meu inconsciente. Eu fico simplesmente a olhar para o teclado e a admirar as minhas mãos a executarem a tarefa de escrever estas palavras.

Será que terá algum sentido o que escrevo? Não sei, mas não ficarei triste se não fizer ou se a pessoa que ler isto pensar para si "que péssimo texto", afinal nada disso me importa quando escrevo sem rede...

E como será viver sem rede?

Primitivos Sentimentos

Vivemos sem dúvida uma era moderna. E como todas as eras modernas, esquecemo-nos das nossas condições mais básicas e instintivas. Quase tudo o que fazemos ou defendemos tem uma justificação racionalizada, tem de ser apoiada por uma teoria qualquer inventada e também ela racionalizada.

No entanto ao entrarmos num processo de extrema racionalização, própria de qualquer era moderna, afastamo-nos de nós próprios e dos nossos instintos. Até Freud, ser-me-ia muito dificil escrever este artigo, afinal o inconsciente era algo inexistente e antes de Darwin seria considerado um herege pois o ser humano não era um animal mas sim criado à imagem de Deus.

No entanto, e felizmente vivo numa era pós-Darwin e pós-Freud, para muitos não será estranho imaginar que por vezes as nossas acções não são controladas pelo nosso consciente e que derivam em algo mais básico, mais instintivo.

E o que é válido para as nossas acções também é válido para as nossas posições. E enquanto no primeiro caso (acções) eu diria que somos acompanhados por outros animais, o segundo (a consciencia das nossas posições) torna-nos únicos, pelo menos pelo grau de complexidade que conseguimos colocar numa determinada posição defendida.

No entanto, tal não invalida que o mesmo tenha um enraizamento profundo nos nossos mais primitivos sentimentos. Eu diria que dois deles são sem dúvida a segurança e a liberdade. Dois sentimentos demasiadas vezes conflituantes. Enquanto o primeiro nos impele a construir muros e nos aprisiona dentro dos mesmos, o segundo impele-nos a quebrá-los e procurar descobrir o que existe fora desses muros.

E estes dois movimentos, provavelmente existentes desde que existe humanidade, são também aqueles que estaram presentes durante a próxima semana, aquando da discussão do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Embora coberto por palavras e teorias racionalizadas, tudo se resumirá à vontade de uns de instrumetalizar o medo e a insegurança para que sejam fortalecidos muros, neste caso muros mentais, e a vontade de outros para que esses muros, que não nos protegem de nada a não ser das nossas próprias fobias, sejam definitivamente derrubados!

Bom "=!=

Nesta altura é típico fazer-se retrospectivas e desejos para 2010. E nos blogues certamente encontraram muitas excelentes análise para tal. Este certamente não é o melhor para quem deseja isso.

Aqui ficará expresso apenas o meu desejo: que realizem (obviamente eu incluido) os vossos sonhos! Só isso, nada mais...

E um bom "=!= para todos

Palavras

Sempre tive dificuldade com palavras. Em criança custou-me a dominar a componente fisica das mesmas. Ainda hoje me é difícil, e a minha mão é demasiado irreverente para escrever a mesma palavra exactamente da mesma forma. Mas com alguma disciplina lá consegui dominar um pouco esse aspecto.

No entanto a minha relação nunca foi perfeitas com as palavras, passando de as amar, até as odiar, ou então simplesmente ignorá-las. Têm tanto de libertadoras como castradoras, por vezes são uma lufada de ar fresco e por outro tornam o ambiente demasiado carregado para sair mais que uma ou outra palavra.

Não sei muito bem a sua real função, o meu mundo é o dos sentimentos e emoções. E nesse mundo não existem palavras. São completamente inúteis, um desperdicio mesmo. O problema apenas acontece quando quero sair desse mundo, quando quero transmitir a outras pessoas os sentimentos, ou emoções. Nessa altura não tenho outra alternativa que não seja recorrer a palavras, e nesses momentos é que compreendo que as palavras serão sempre imperfeitas, que por mais que existam milhões de palavras falta sempre aquela para descrever exactamente o que sinto.

Mas mesmo que encontrasse uma palavra que descreve um sentimento unico que tenha sentido, então essa palavra seria ela também unica e impossível de ser compreendida. É neste momento que percebo o quão sobrevalorizadas estão as palavras e paro de as escrever...

Espaço "No-mad"

Inicio aqui uma nova rúbrico no espaço Tuga 1.75. Chama-se "No-mad" e neste artigos escreverei relatos de viagens que efectuei. Pequenas experiência que resolvi partilhar neste espaço e que espero que venha a ser do vosso interesse. Como tudo neste blogue serão escritas ao sabor da vontade, disponibilidade e inspiração.

Obviamente esta rúbrica estará aberto a todas as pessoas que queiram também contribuir bastando para tal enviar um mail com o texto ou fotografia que queiram ver publicado.

Um abraços a todos,

Stran

Tempo

A nossa relação com o tempo não foi sempre a mesma. Aliás nos ultimos séculos essa relação sofreu uma profunda alteração e os conceitos modernos de tempo são ainda demasiado recentes para estarem perfeitamente assimilados. Por exemplo, o valor moral da pontualidade não deverá ter mais de dois séculos e foi introduzido com a revolução industrial. Existindo um brutal esforço de doutrinação desse conceito.

Mas não foi a relação do Homem com o tempo que me motivou a escrever este post. Mas sim a relação do Homem com o seu Tempo. Tal como a relação anterior também a mesma não é estática. Certamente uma pessoa no pós-epoca romana teria uma relação bem diferente com o seu tempo do que actualmente temos com o nosso. Felizmente passamos uma era, que em comparação com as anteriores é substancialmente melhor. Talvez na história humana europeia só encontre paralelo no apogeu da sociedade romana, e mesmo assim conceitos como liberdade não eram sentidos por tantas pessoas como actualmente sentimos.

Não obstante este pormaior, a verdade é que a nossa relação pré-crise financeira e económica era de orgulho. Tinhamos orgulho do tempo em que viviamos e julgamos que essa sensação seria eterna. O problema é que, como em tudo na vida, se for sentido em demasia poderá acarretar perigos. Neste caso existiu um efeito calmante derivado deste orgulho. Talvez por ter sido um final de século, julgo que nos convencemos que tinhamos chegado a algum porto, algum nirvana a que estavamos destinados a viver o resto da nossa existência.
E assim vivemos a primeira decada deste milénio, mais preocupados em gozar o momento do que criar novos momentos. Julgo que não é por acaso que a expressão "progressista" deixou de ser utilizada como elogio e passou a ser utilizado como insulto. Bem e depois aconteceu, no meio do nada, esta crise violentissima. E fomos obrigados a sair do nosso turpor, do deslumbramento que a relação com o nosso Tempo tinha provocado.
Agora olhamos para trás e verificamos que não estamos assim tão diferentes, que o nosso tempo não é o melhor e que existe muito para conquistar e ser inventado. Que temos de agir em vez de apenas reagir.
Julgo que pela primeira vez em muito tempo ansiamos não pelo nosso Tempo, mas sim pelo Tempo que virá, tal e qual como à cerca de 100 anos atrás...

Bom Natal!


Como tudo na minha vida este ano, cheguei atrasado ao momento em que se fazem votos de Bom Natal! Assim e aprendendo a lição deste ano faço já votos de um Bom Natal de 2010 (espero que o deste ano tenha sido óptimo para todos vós)!

Embora na realidade eu não queira isso, ou pelo menos não é o que realmente desejo. Antes de mais eu não quero que tenham apenas um bom Natal, eu quero é que tenham todos os dias excelentes daqui até ao próximo Natal! Que possam realizar todos os vossos sonhos (afinal a vida é apenas a oportunidade de realizar os nossos sonhos) e deixar em 2009 todas as vossas mágoas!

Bem este é o meu voto natalício de 2009!

P.S. Este ano não pedi nada ao Pai Natal porque sei que a crise também chegou ao Pólo Norte e que ele está a sofrer da concorrência da produção chinesa. Aliás sei que neste momento os elfos estão em greve pois existem rumores que a Fábrica se vai deslocalizar para a China.

Não estou morto...

Escrevo no meio de uma "tempestade" de acontecimentos para dizer que ainda não estou morto. Sei que o que fiz é quase o equivalente a um suicidio virtual social mas os acontecimentos deste ultimo mês (pelo menos acho que se passou um mês) não me deixaram muito tempo para passar por aqui ou pelo facebook.

Digamos que o real se sobrepôs esmagadoramente ao virtual e só agora consigo começar a respirar um pouco, sem certezas de que possa estar estável. Até me assusto de pensar como está a minha conta do facebook, mas vamos lá ver o que é que isto dá.

Para ajudar à "festa" estou sem internet em casa o que me limita de sobremaneira a minha presença online. Para ser honesto eu já não sabia o que era chegar a casa e não ter internet, foram bastantes anos com acesso sempre disponível. Mas tenho de confessar que embora isso tenha tido consequência muito negativas, a verdade é que me fez recuar alguns anos e olhar para uma realidade que já tinha esquecido à bastante tempo.

Peço desculpa a todos os que tinham por habito passar por aqui, e fica o meu apelo que continuem, embora a minha inactividade ainda será um pouco visível - para terem uma imagem do que me está a acontecer, sinto-me um naufrago que conseguiu vir agora a tona de àgua, mas que está de volta a ser puxado para dentro de àgua - mas com o tempo penso recuperar.

Um pedido publico muito especial a uma pessoa, pois deixei um projecto a meio e não tive capacidade de lhe ainda o dizer "pessoalmente" é o que vou fazer agora.