Visão de excelência

Conselhos à Igreja - Família
E o tema de hoje é a família. Visto que, e nas palavras da própria igreja:
“A família está, hoje, sujeita a múltiplos e permanentes ataques. Para nós, ela tem relevância intrínseca e uma centralidade única para o presente e futuro da Igreja e da sociedade.”
Assim o meu conselho para a Igreja, é que deixe de ter uma actitude passiva e passe a activamente defender a “família” dos seus múltiplos e permanentes ataques. Nomeadamente alterar o maior ataque à família que existe na sociedade portuguesa, que é a proibição dos vossos membros internos de se casarem. Aliás lanço-vos o convite para em conjunto começarmos uma campanha para instituir uma lei que não permita a existência de instituições que proíbam que os seus membros se possam casar. Afinal uma proibição à constituição de família é o maior e permanente ataque à Família. Que como disserem tem “relevância intrínseca e uma centralidade única para o presente e futuro da Igreja”.
Só uma nota final, para falar dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Estão equivocados quando afirmam que este é um ataque à família. Não só se expande o número de famílias, que tem uma relevância central para a Igreja, como não constitui uma ameaça ao que vocês apelidam de “verdadeira” família, pois eles já não estariam integrados nesse conceito.
O "Liberal-conservador" em Portugal
Ora um “liberal-conservador” é algo que não existe em Portugal, pela impossibilidade de conciliação entre o que ambas ideologias defendem. O primeiro – o liberal – defende acima de tudo a liberdade individual, e fá-lo tanto no campo económico como no campo social. O segundo – o conservador – defende acima de tudo os valores que a sociedade tem e que são legado do passado, da tradição. Ora, enquanto estes dois conceitos poderão ser algo conciliáveis em sociedades com um passado profundamente liberal (como a americana), tal é impossível na sociedade portuguesa, que não tem um passado enraizado de liberalismo, mas apenas alguns episódios esporádicos.
Assim, e em Portugal, enquanto o liberal tenta transpor novos valores para a sociedade (e daí não ser conservador), o conservador tenta manter os valores da sociedade portuguesa (e daí não ser liberal).
Então, a questão que se coloca é a seguinte: o que motivará uma pessoa a se apelidar “Liberal-conservador” em Portugal?
Para isso precisamos de analisar os valores do liberalismo e quais os valores tradicionais em Portugal.
Como disse anteriormente, o liberal defende a liberdade individual, é este o seu foco de atenção. E é a partir desta unidade – o individuo – que constrói a sociedade. Isto é, para o liberal, o indivíduo é a unidade fundamental da sociedade, todas as leis visam atribuir a liberdade ao mesmo.
Já os valores tradicionais portugueses, não são liberais mas sim católicos. Estes valores deveriam ser necessariamente vistos como incompatíveis aos valores liberais. Sendo que a maior incompatibilização é a diferença que existe na unidade fundamental da sociedade, que nos valores católicos não é o individuo mas sim a família (que é uma colectividade).
Ora, logo nesta questão fundamental um conservador não é um liberal em Portugal. Para ele a unidade fundamental é a família tradicional, opõe-se a qualquer alteração deste conceito (casamento entre pessoas do mesmo sexo, adopção de filhos por esses casais, etc…) e não reconhece ao indivíduo a sua liberdade individual social (opondo-se à eutanásia, consumo livre de estupefacientes, aborto, etc…) pois consideram-nas uma ameaça à unidade familiar e valores tradicionais, suprimindo desta forma o indivíduo.
No entanto, o que poderia ser um obstáculo ao “liberal-conservador”: compatibilizar esta dualidade entre indivíduo e colectividade (família), é, em Portugal, fácil (diria mesmo instantâneo), e emana dos nossos valores tradicionais. O conceito de família é ainda um conceito patriarcal. A família, embora colectividade, é personalizada numa pessoa – o Homem. Assim, a visão que o “liberal-conservador” tem da família não é a de uma colectividade igualitária, mas sim a de individualidade – a família personificada no “chefe de família”. Desta forma, para o “liberal-conservador” é totalmente compatível a noção de família como unidade fundamental na sociedade e argumentar favoravelmente pela liberdade “individual”.
Mas se até agora dei apenas razões para os “liberais-conservadores” aceitarem essa designação, a verdade é que até agora não teriam qualquer motivação para se designarem de “liberais” ou quererem pertencer à família liberal.
A motivação nasce da mesma “fonte” que nasce o conservadorismo português: o medo da mudança. Um conservador é tipicamente uma pessoa com medo, e tem necessidade de minimizar esse medo, de encontrar uma segurança (e daí a segurança ser um tema mais importante para os “liberais-conservadores” do que a própria liberdade), agarrando-se para tal aos valores que já conhece e com que está confortável.
Opõe-se a qualquer ameaça a esses valores. E para ele não existe maior ameaça do que o Estado. Ele sente o Estado como algo externo a ele próprio, à sua família, algo que ele não pode controlar e que por isso pode pôr em causa os valores tradicionais da sociedade.
Desta forma procura instintivamente a ideologia que minimiza o Estado, e encontra-o no liberalismo económico. E em Portugal, esta teoria fá-lo atingir os seus dois maiores objectivos: diminuir a ameaça do Estado, e manter o “statuos quo” da sociedade (isto é, os valores tradicionais). Como? O liberalismo económico desprovido do liberalismo social, faz com que economicamente vinguem os mais “aptos”(1) isto é, na família o homem, na sociedade os conservadores.
O “liberal-conservador” não vê no liberalismo económico um instrumento para aumentar a liberdade individual em Portugal, mas sim usa-o de forma utilitária para manter os valores tradicionais (que é o seu fim máximo).
Ou seja o “liberal-conservador” em Portugal é um mero conservador e não tem nada de liberal. Apenas utiliza esta palavra (“liberal”) para se definir economicamente perante os outros conservadores (2), mas não por se integrar na família ideológica do liberalismo.
(1) Aptos aqui significa os detentores do poder material.
(2) Sintomático disto é o facto de não termos nenhum partido na família liberal europeia
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Podia ter sido dito hoje...
Eu vou votar Socrates, e vocês?
Pois é, eu sempre me considerei uma pessoa de coragem. E numa altura em que é moda criticar Socrates eu não tenho medo de dizer:
"EU VOTO SOCRATES!"
No dia das eleições legislativas, saio de casa, dirijo-me à mesa de votação, pego no boletim e coloco a minha cruz no quadrado que está atrás da palavra "Socrates"! Esperem só um pouco...
...tens a certeza?...
...epá, mas o gajo até tem um site com o nome dele, o mote da campanha é "Socrates 2009"...
...Ok!
Ops, o meu amigo informou-me mesmo agora que afinal só posso votar em partidos. Agora é que complicaram a minha vida! Afinal não voto P.S. que o trabalho deles foi péssimo. No P.S.D. também não, que aquilo de partido já não tem nada, é apenas um ajuntamento de pessoas que querem garantir a sua fatia do bolo estatal. Quanto ao C.D.S., chamem-me picuinhas, mas não quero que eles quebrem o seu record histórico de escândalos por tempo de governação. Ainda não confio no B.E. e no P.C.P. não voto. Pelo menos enquanto insistirem em defender ditaduras.
Bem resta-me seguir o conselho sábio do camarada Saramago e votar em branco...